Faça Jornais



A história de sucesso da Faça Jornais



O duro início em uma nova cidade


A cidade de Campos dos Goytacazes (Foto: Vladhillrj / Wikimedia) Em meados de 1992 Luciano Silva era um inexperiente jovem de 20 anos que havia acabado de desembarcar em Campos dos Goytacazes RJ numa tentativa de se estabelecer na cidade em busca do seu objetivo: casar com a moça que ele namorava há cerca de 2 anos. Mas para isso, era necessário antes ter alguma estrutura financeira que o ajudasse nessa atingir a sua meta. Quando decidiu ir para Campos, abriu mão do seu passado no Rio de Janeiro, da companhia da sua família, parentes e amigos, para tentar ficar próximo da sua amada e começar uma nova vida. Mas o começo não foi fácil. Sozinho e sem contar com a ajuda de ninguém, começou a se virar, batendo de porta em porta à procura de emprego em empresas e no comércio local. Era uma época difícil para arrumar trabalho. Ele recebeu muitos "nãos" nos dias que se seguiram.

Aquela era a segunda tentativa dele se estabelecer na cidade. A primeira ocorrera 6 meses antes, onde enfrentou as mesmas dificuldades, sem conseguir nada certo. Chegou a trabalhar por um mês de graça como cobrador de ônibus numa linha que liga a cidade ao interior do município, aprendendo a função, enquanto aguardava uma vaga definitiva na empresa, o que não aconteceu. E antes de desistir e retornar para o Rio de Janeiro, obteve um emprego num hotel, mas o que recebia de salário mal dava para cobrir as suas despesas e pouco tempo depois retornou à casa da sua mãe.

E agora ele tentava mais uma vez. Embora não conseguisse nada, não desanimou. Ele não desejava fracassar e ter que ir embora, por isso foi perseverante. Um dia ele bateu na porta do Jornal A Notícia e descobriu que havia uma vaga para faxineiro, e mesmo solicitando aquela oportunidade, a pessoa que o atendeu (um dos filhos do dono da empresa) não estava muito disposto a contratá-lo porque Luciano não tinha referências na cidade. Então ele lembrou que o seu ex-patrão, o dono do hotel, era irmão do dono de A Notícia, e pediu que entrasse em contato com ele para servir como referência.

Subindo na carreira


Luciano Silva na redação do Jornal A Notícia Foi então que Luciano passou a trabalhar no Jornal A Notícia feliz e esperançoso, acreditando que agora tudo iria mudar. E mudou mesmo! Ele ficou naquela função por cerca de 70 dias até que uma trágica oportunidade ocorreu e mudou o rumo da sua vida. Um dia houve um crime onde um homem covarde atirou pelas costas de um outro homem. Essa vítima estava retornando do seu trabalho, pedalando a sua bicicleta em direção à sua casa, mas passando por local deserto servido como atalho entre dois bairros próximos. E por alguma razão, a vítima foi pega de surpresa no meio do caminho.

A imprensa campista ficou sabendo do corrido e logo todos os jornais trataram de enviar uma equipe ao local para registrar a notícia. Mas naquele dia, todos os jornalistas de A Notícia estavam na rua trabalhando, e não havia mais ninguém disponível na redação para ser enviado, exceto o faxineiro. Então o editor da época pediu ao dono do jornal que permitisse que o Luciano fosse até o local, juntamente com um fotográfo experiente, para coletar o máximo de informações possíveis para ele escrever a história. E por incrível que pareça, a permissão foi dada e Luciano se tornou repórter por um dia.

Quando retornou à redação do jornal, Luciano fez questão de entregar a notícia datilografada. O editor do jornal, Carlos Gomes Costa da Conceição, ficou impressionado ao descobrir a nova habilidade do faxineiro, e foi pedir ao dono do jornal uma promoção para ele (Luciano é eternamente grato por essa atitude). Uma semana depois Luciano foi elevado à função de repórter, com um salário maior e com mais liberdade de tempo. A oportunidade de trabalhar em A Notícia deu ao Luciano uma renda capaz de manter o seu lar (e isso rendeu o tão sonhado casamento), além da chance de conhecer o badalado colunista social professor Marcelo Sampaio, que deu à sua vida importantes contribuições, orientações e influências positivas. E assim surgiu uma grande e sólida amizade entre eles que dura até hoje.

Uma grande porta que se abre


Atualmente a Folha da Manhã ainda é líder de mercado no segmento de comunicação no Norte e Noroeste Flumimense do Estado do Rio de Janeiro. Imagem da edição de Setembro de 2015 Cinco meses depois o amigo Antônio Leudo, que era fotógrafo na Folha da Manhã, propôs a indicação de Luciano (o qual é eternamente grato por isso) para uma vaga de repórter. Desde aquela época e até os dias atuais a Folha sempre foi o jornal de maior evidência, expressão e circulação no interior do Estado do Rio de Janeiro. E para contratar Luciano, a Folha não precisou se esforçar muito: o salário e os benefícios oferecidos aos funcionários da Plena Editora Gráfica (razão social da empresa) eram superiores à atual realidade que o Luciano tinha em mãos. E por isso, não exitou na mudança de emprego.

Na nova redação, Luciano cresceu profissionalmente e ampliou a sua rede de relacionamentos, principalmente no meio sindical. Por conta disso, fez boas e duradouras amizades com Hélio Anomal (Saneamento) que foi o seu padrinho de casamento; Luiza Botelho (Petroleiros); Ronaldo Nascimento, Ricardo Pessanha e Jorge Rocha (Comerciários); Luiz Rocha (Vigilantes); Roseni Camilo (Enfermeiros); Amaro Fidélis (Contabilistas); Carlos Antônio (Químicos) e Odisséia Carvalho (Professores), entre outros.

Um vantagem de trabalhar na Folha foi a oportunidade de conviver e aprender com consagrados profissionais como Aluysio Cardoso Barbosa (fundador do jornal), Orávio de Campos Soares, Edmilson Martins, Adelfran Lacerda, Saulo Pessanha, Luiz Costa, Moisés França, Afrânio Abreu e Jô Siqueira, entre outros. Por cerca de nove meses Luciano foi funcionário da Folha da Manhã, saindo dela para dar assistência integral ao seu primeiro negócio próprio, a Faça Jornais, coincidindo com o nascimento de sua primeira filha, Kyani.

O primeiro empreendimento


O início da Faça Jornais foi simples e humilde. Vislumbrando a oportunidade e o potencial de ter um negócio próprio, Luciano Silva deu os primeiros passos no empreendedorismo em 1993, abandonando a promissora carreira de repórter de jornal para se dedicar em tempo integral ao segmento de diagramação de jornais. Era incerto o futuro do negócio que ele o chamou de Faça Jornais, e sem recursos financeiros, foi obrigado no começo a usar computadores emprestados de amigos até poder comprar o seu próprio equipamento.

O primeiro jornal diagramado se chamou "Tutti Fruti", e tinha um conteúdo descontraído e variado. O resultado deste trabalho foi surpreendente: quando o cliente retornou com o jornal impresso da gráfica, informou que recebeu elogios e comentários positivos pela diagramação moderna e criativa. Isso motivou Luciano a melhorar cada vez mais o seu trabalho e a seguir adiante.

O parceiro certo: Enockes Cavalar


Luciano e Enockes trabalhando na Faça Jornais. Durante os 5 anos que durou a Faça Jornais, Luciano Silva contou com a ajuda e apoio do jovem Enockes Cavalar, um rapaz que conheceu na igreja e que o observava trabalhando como vendedor em um carro de frutas, no Centro da cidade. O tratamento que ele dava aos clientes e a forma como ele manuseava as frutas chamou a atenção de Luciano, que percebeu a sua dedicação, presteza e inteligência, atributos que poderiam torná-lo o parceiro ideal no negócio de diagramação.

Demorou para que Enockes aceitasse o convite e ingressar para a Faça Jornais, já que a sua intimidade com computadores era mínima e a troca de um emprego certo por outro incerto o assustava. Mesmo assim Luciano acreditou no seu potencial, e insistiu tanto que finalmente Enockes aceitou o convite, dando assim o inicio do seu treinanamento. Após algumas semanas Enockes já dava sinais que iria tranquilamente dar conta do recado, liberando Luciano para a parte comercial do negócio, em busca de novos clientes. O começo da Faça Jornais foi na sala da residência do Luciano, no bairro Capão. Durante o dia Enockes diagramava enquanto Luciano visitava clientes, e a noite Luciano diagramava o que faltava para terminar o serviço. Assim os jornais ficavam prontos mais rápido.

Naquela época muitas pessoas também trabalhavam no ramo da diagramação, cada um com o seu estilo e jeito de trabalhar. Mas a Faça Jornais se destacou entre todos, principalmente pela postura do compromisso que a equipe tinha para com os clientes. E quanto mais demonstração de satisfação pelos resultados que obtinham os clientes, mais cumbustível havia para tentar fazer o trabalhar melhor e mais rapidos.

Como tudo funcionava: o processo


Alguns clientes da Faça Jornais. O trabalho basicamente consistia em receber dos clientes as fotos e os textos das notícias e dos anúncios, além do rascunho estrutural (chamado "boneco") a respeito de como seria a aparência (layout) de cada página. Após todos os textos serem digitados, revisados e corrigidos, e as fotos scaneadas e tratadas, abria-se o Aldus Pagemaker 6.5 (programa da época para editoração eletrônica) para importar tudo e montar (diagramar) as páginas e anúncios comerciais. Quando tudo estava pronto, era impresso uma versão reduzida (preview) para o cliente revisar e apontar possíveis alterações. Depois, o jornal era finalmente impresso em folhas de A3 e montadas no tamanho real desejado ao jornal: standart (até 6 colunas) ou tablóide (até 4 colunas).

A última etapa após a impressão era abrir as "janelas" (recorte com estilete nos locais preparados onde ficariam as fotos). Ao final o jornal estava pronto para seguir até à gráfica para imprimir. Na época, as gráficas com o melhor preço ou qualidade para impressão estavam no Rio de Janeiro, Niterói, Macaé e em Petrópolis. Por conta disso, foram incontáveis vezes que Luciano e Enockes se revezavam para levar o jornal até à gráfica, viajando centenas de quilômetros e dormindo em hotel, para retornar no dia seguinte com o jornal no bagageiro do ônibus e entregar nas mãos dos clientes. Na Faça Jornais o serviço era completo e por isso o negócio cresceu rapidamente.

Essa maneira de trabalhar já fazia parte da moderna era da diagramação eletrônica da década de 90, onde o jornal era projetado na tela do computador e podia ser imediatamente impresso em papel. Mas quando começou, por falta de recursos, a Faça Jornais ainda diagramou os seus primeiros jornais no método antigo, onde era utilizadas as quadriculadas folhas de paste-up para a marcação da posição dos textos, fotos e anúncios. Esse método largamente utilizado pela imprensa brasileira foi gradualmente substituída pela modernização das gráficas e pelo surgimento de programas para diagramar direto no computador.

O Auge: estabelecendo um recorde ainda não quebrado


Frente do painel com os jornais da exposição. As edições marcadas com X foram diagramados pela Faça Jornais. Na década de 90 basicamente quase todas as cidades do Estado do Rio de Janeiro vivenciaram um mercado aquecido no segmento de jornais impressos. A prova disso era a enorme quantidade de jornais diferentes sendo impressos diariamente em todas as gráficas. A Faça Jornais testemunhou e participou desse momento, quando a internet ainda estava apenas começando a tomar força no Brasil e as redes sociais nem sequer existiam. Havia no mercado centenas de jornais de variados formatos e propósitos, sendo distribuídas ou vendidas às pessoas, e era comum naquela época parte dos donos desses jornais sobreviverem das propagandas comerciais que publicavam em seus impressos.

Verso do painel com os jornais da exposição. As edições marcadas com X foram diagramados pela Faça Jornais. Durante o ponto mais alto na curvatura de atuação da Faça Jornais, o negócio chegou a ter cerca de clientes 43 jornais diferentes no mercado, em várias cidades, destinados a segmentos específicos e próprios. Ao longo do tempo surgiram muitos concorrentes diagramando jornais por aí, motivados pelo sucesso referencial da Faça Jornais. Enquanto Luciano e Enockes faziam todos os procedimentos sozinhos, o mais forte entre esses concorrentes contava uma equipe de profissionais, cada um a sua função específica, e mesmo assim não ultrapassavam 18 jornais de clientes. Na Semana da Imprensa de 1996 o presidente da Associação da Impresa Campista, jornalista Herbson Freitas, coletou vários jornais alternativos que circulavam pelas ruas e os fixou em um enorme painel, frente e verso, que ficaram expostos por uma semana pelos corredores da instituição. Entre os jornais expostos, cerca de 70% eram produzidos pela Faça Jornais.

O Fim


A Faça Jornais funcionou bem até 1997 quando aconteceu o fim do casamento de Luciano. Naquela ocasião, ele achou por bem encerrar as suas atividades e retornar para o Rio de Janeiro. No intuito de recomeçar a sua vida profissional, Luciano chegou a dar continuidade às mesmas atividades que exercia em Campos, mas ficou desmotivado pelo mal comportamento de alguns clientes, entre eles um pastor evangélico, que editava o jornal da sua igreja, e que deu um calote humilhante no Luciano mesmo após ele o ter socorrido, virando a noite para redigitar todos os textos e refazer a diagramação, dentro do apertado prazo de 24 horas, porque o "profissional" anterior que diagramou esse jornal cometeu erros grosseiros de digitação nos textos e anúncios que deixou esse pastor em uma delicada situação perante os seus leitores e anunciantes. E por conta deste constrangimento e desapontamento, Luciano Silva optou por se aposentar de vez como diagramador de jornais, recorrendo ao mesmo ofício em raros e importantes momentos, apenas para pessoas e empresas selecionadas.

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